quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Reflexão para o XXIV Domingo do Tempo Comum- Marcos 8,27-35 (Ano B)



Neste vigésimo quarto domingo do tempo comum, a liturgia nos apresenta o episódio central e divisório do Evangelho segundo Marcos: a confissão de fé de Pedro, em nome de todo o grupo dos discípulos, e o primeiro anúncio da paixão. O texto proposto, Marcos 8,27-35, é um divisor de águas também no itinerário missionário e messiânico de Jesus, pois marca o início do seu caminho para Jerusalém, onde acontecerão os eventos da sua paixão e morte, culminando com a ressurreição. É, portanto, o início de uma etapa decisiva que exige muita convicção nos discípulos. Se trata de um episódio comum aos três evangelhos sinóticos (cf. Mc 8,27ss; Mt 16,13-19; Lc 19,18-22), cuja versão mais rica é essa de Marcos, com mais probabilidade de correspondência com os fatos reais.

Dividido em duas grandes partes, o Evangelho segundo Marcos tem como finalidade apresentar Jesus como o Cristo, ou seja, como o messias, e como o Filho de Deus, como já se percebe em seu primeiro versículo: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Toda a primeira parte, capítulos de 1 a 8, visa gerar na comunidade a certeza de que Jesus de Nazaré é o messias, tão esperado por Israel ao longo dos séculos; por isso, essa é concluída com a proclamação solene de Pedro, em nome da comunidade dos discípulos, afirmando “Tu és o Cristo” (o nome Cristo, em grego χριστóς - christós, significa messias ou ungido). Já a segunda parte, capítulos de 9 a 16, visa levar a comunidade a acreditar que o messias é também o Filho de Deus, cuja certeza é dada pela confissão do centurião romano no momento da morte de Jesus: “realmente, esse homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). A maturidade da comunidade, portanto, pode ser verificada pela sua capacidade de professar livremente essas duas verdades a respeito de Jesus de Nazaré, dando-lhe adesão até as últimas consequências. 

Olhando especificamente para o texto do evangelho de hoje, a nossa primeira observação diz respeito à dimensão espacial: Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe” (v. 27b). Esse dado possui grande relevância, considerando a localização e a importância da cidade de Cesaréia de Filipe. Ora, como Cesareia estava localizada no extremo norte da Galileia, em área já considerada pagã, esse dado representa uma espécie de isolamento dos discípulos em relação à ideologia nacionalista. Lá, eles estariam livres para emitir uma opinião isenta de qualquer influência ideológica e preconceitos. Para reconhecer a verdadeira identidade de Jesus é necessário isolar-se dos esquemas religiosos de Israel. Além disso, a cidade de Cesareia, como o próprio nome indica, era uma homenagem a César, um dos títulos de honra do imperador romano; logo, o reconhecimento de Jesus como messias, na “cidade de César” representava a oposição do projeto do Reino de Deus às forças de morte movidas pelo poder opressor romano.

Com esse dado, o evangelista quer ensinar que as duas primeiras exigências para o seguimento convicto de Jesus é o rompimento com as ideologias, religiosas principalmente, e a coragem para confrontar toda forma de poder oposta ao Reino de Deus. Essa era a situação da comunidade do evangelista Marcos, na época da redação do evangelho: escrito fora da Palestina, quando a convivência com a comunidade judaica já tinha se tornado insuportável e, especificamente, na cidade de Roma, capital do império, em época de forte perseguição. Portanto, o evangelista, para fortalecer os cristãos da sua comunidade, narra esse episódio para mostrar que aquela situação presente já tinha sido prevista e vivida pelo próprio Jesus com seus primeiros discípulos.

Em situações de hostilidade, é necessário renovar as convicções para continuar o seguimento. Assim, Jesus faz uma espécie de consulta a respeito da sua própria imagem, não interessado em fama, mas somente para saber se estava sendo compreendido juntamente com a sua mensagem; não era preocupação com sua imagem pessoal, mas com a eficácia do anúncio na comunidade. Por isso, ainda “no caminho, perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem os homens que eu sou?’” (v. 27). Aqui, o evangelista faz questão de evidenciar o aspecto itinerante e a falta de comodidade no discipulado. Por isso, “o caminho” com os inerentes perigos é lugar de catequese e anúncio, o que também reflete a situação da comunidade do evangelista: expulsos da sinagoga, os cristãos já não tinham lugar fixo para a pregação, buscando espaços alternativos, como as casas, as estradas e até os cemitérios. Não obstante esses desafios, a clareza e a convicção do seguimento são fundamentais para a vida da comunidade.

A resposta dos discípulos à pergunta de Jesus revela a falta de clareza que se tinha a respeito da sua identidade e, ao mesmo tempo, a boa reputação da qual Jesus já gozava entre o povo, certamente o povo simples, com quem Ele interagia e por quem mais lutava. Eis a resposta: “alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias, outros, ainda, que és algum dos profetas” (v. 28). Sem dúvidas, Jesus estava bem-conceituado pelo povo, pois era reconhecido como um grande profeta. De fato, os personagens citados foram grandes profetas, homens que acenderam a esperança de libertação, anunciando, denunciando e testemunhando. Mas Jesus é muito mais. Embora continuem sempre atuais, os profetas de Israel são personagens do passado. A comunidade cristã não pode ver Jesus como um personagem do passado que deixou um grande legado a ser lembrado. Isso impede a comunidade de fazer sua experiência com o Ressuscitado, presente e atuante na história.

A pergunta sobre o que as outras pessoas diziam a seu respeito foi apenas um pretexto. Na verdade, Jesus queria saber mesmo era o que seus discípulos pensavam de si. Por isso, lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (v. 29a). Que as pessoas de fora o conhecessem apenas superficialmente, seria tolerável, mas dos discípulos, esperava-se uma resposta mais profunda e convicta, como de fato aconteceu: “Pedro respondeu: ‘Tu és o Messias’” (v. 29b). Aqui, Pedro fala em nome do grupo. Essa é a resposta da comunidade. Embora correta, a resposta de Pedro e da comunidade não é satisfatória, por isso, “Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito” (v. 30). Dizer que Jesus é o Messias, é o mesmo que dizer o Cristo, como de fato ele era. 

O que fez ele proibir Pedro de repetir essa fórmula foram as possibilidades de incompreensão que essa comportava. Ora, o messias esperado pelos judeus, cujas expectativas foram alimentadas por muitos séculos, desde a época do exílio, era um guerreiro, um restaurador do reino de Davi. Essas expectativas diziam respeito a um único povo e religião, enquanto a mensagem de Jesus é universalista e acessível a todos os seres humanos, independente de qualquer cultura, etnia e religião. Portanto, podemos afirmar que Pedro deu a resposta correta – Jesus é mesmo o Cristo – mas não tinha ainda a consciência ideal – Jesus não veio para restaurar o reino de Davi, mas para implantar o Reino de Deus, como realidade universal.

Diante do equívoco dos discípulos, representados por Pedro, Jesus inaugura uma nova etapa da sua catequese, buscando revelar a sua verdadeira identidade de messias “às avessas”: o messias descendente de Davi, esperado pelos judeus, era um guerreiro, viria ao mundo para combater e matar os inimigos de Israel, restaurando o trono outrora ocupado por Davi e Salomão; Jesus mostra que sua missão é o contrário de tudo isso: “o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias” (v. 31). Esse é o primeiro dos três anúncios da paixão presentes no evangelho. Ao invés de matar, o Messias Jesus é quem padece e, por consequência, essa deveria ser também a sorte dos seus discípulos.

Fechado na mentalidade nacionalista, Pedro não aceita um messias sofredor, por isso, “tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo” (v. 32). Essa atitude de Pedro é absurda e inaceitável. O verbo repreender (em grego: επιτιμαω – epítimao) significa condenar por um erro, reprovar bruscamente; fazendo isso, Pedro nega a sua condição de discípulo, e é chamado por Jesus a assumir o seu verdadeiro lugar: “Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: ‘Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens’” (v. 33). Jesus, como mestre, tem autoridade para “repreender” e condenar a atitude absurda de Pedro. Ao chama-lo de satanás, Jesus está apenas dizendo que, com aquela postura, Pedro está sendo obstáculo para o Reino de Deus.

Pedro queria evitar a cruz para Jesus e seus companheiros. Jesus, ao contrário, afirma que a cruz é condição para o seguimento (v. 34). Porém, ao contrário do que a tradução litúrgica do texto afirma, Jesus não manda Pedro para longe, mas apenas para trás de si. Aqui, ele usa a mesma expressão do chamado vocacional: “segue-me” – empregada em Mc 1,17; 8,34 (em grego: ovpi,sw mou – opísso mu). Jesus repreende Pedro, mas não o expulsa do grupo, apenas diz “vai para trás de mim”, “assume teu lugar de discípulo”, ou simplesmente “segue-me”. Com isso, o evangelista ensina que a última palavra na comunidade deve ser sempre a de Jesus. O discípulo nunca deve tomar o lugar do mestre, assim como, na comunidade cristã, nenhuma pessoa pode ter a última palavra, pois essa é sempre de Jesus.

Devido a tentação de Pedro, querendo suavizar o seguimento, diminuindo as suas consequências, Jesus aproveita para reforçar as convicções e a necessidade de disposição de dar a vida por sua causa e pelo Evangelho (vv. 34-35). De fato, o discipulado é incompatível com o egoísmo e a falta de coragem de dar a vida por causa do Evangelho. A comunidade se torna, de fato, cristã, ou seja, discípula, quando encontra o seu verdadeiro lugar: sempre atrás do mestre, no seguimento, não impondo os pensamentos humanos, mas apenas seguindo e fazendo o que Jesus pediu.

Pe. Francisco Cornelio Freire Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

Cuidado! O diabo nos ronda


Saiba como se precaver dele

De repente, você lê isto: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pedro 5,8). 
Aí você começa a refletir e a se preocupar quando um católico assegura que não existe nem o diabo nem o inferno. 
São temas nos quais nunca gostei de tocar. E reconheço que foi um erro. Devemos alertar os outros, para que eles estejam vigilantes, para que não se deixem vencer pelas tentações e pelo ódio do maligno. 
A passagem dele pelo mundo é sutil. Ele gosta de passar despercebido, atuar discretamente. Mas sempre deixa rastros.
Se você é como eu, que gosta de livros de detetives, poderá encontrar pistas suficientes de sua presença. Ele trabalha nos bastidores, oculto, silencioso. Deixa pequenas marcas como as peças de um quebra-cabeça. Basta uni-las e você chegará a um retrato assustador de seu ódio à humanidade. 
Diz-se que a santa Bíblia menciona o inferno 70 vezes e outras tantos o maligno. 
“Jesus lhe disse: ‘Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’” (Mateus 4:10). Portanto, sua existência é uma sutileza, que marca a vida de muitos e abre as portas ao pecada e à perda da graça santificante. Parece-me que negá-lo é remar contra a corrente. 
Abrace a verdade. Você pode encontrá-la nas Escrituras, nos ensinamentos, nos Doutores da Igreja. E, principalmente, use a capacidade que Deus lhe Deu para discernir. 

Oração a Nossa Senhora pelas crianças


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"Abençoai as nossas crianças, que vos são confiadas"

Ó Maria,
Mãe de Deus e nossa Mãe santíssima,
abençoai as nossas crianças,
que vos são confiadas.
Guardai-as com cuidado maternal,
para que nenhuma delas se perca.
Defendei-as contra as ciladas do inimigo
e contra os escândalos do mundo,
para que sejam sempre humildes,
mansas e puras.
Ó Mãe de misericórdia,
rogai por nós e, depois desta vida,
mostrai-nos Jesus,
bendito fruto do vosso ventre.
Ó Clemente, ó Piedosa,
ó Doce sempre virgem Maria.
Amém.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Gestos e posições do povo na Santa Missa

Quando se sentar, ficar de pé e se ajoelhar na celebração do santo sacrifício da Missa? O que prescreve a liturgia, o que recomenda a tradição e o que sugere a piedade nessa matéria?

São muitos os que nos escrevem, já há algum tempo, perguntando quais são os gestos que deve fazer e as posições que deve assumir o povo durante a celebração da Santa Missa. Por isso, trazemos abaixo um bom guia, publicado pelo site norte-americano Adoremus, traduzido pelo site brasileiro Salvem a Liturgia! e adaptado aqui e ali por nossa equipe.
As orientações a seguir contêm, de modo indiscriminado, gestos a) prescritos pelos livros litúrgicos, outros b) recomendados pela tradição e outros ainda c) apenas sugeridos pelo simbolismo que carregam. Não se trata, portanto, de um “manual” a ser seguido estritamente e em todas as suas particularidades, mas, sim, de um auxílio à piedade dos fiéis, para que participem melhor e mais frutuosamente do santo sacrifício da Missa.
As instruções propriamente obrigatórias a esse respeito encontram-se disponíveis na Instrução Geral do Missal Romano, nn. 42-44, e no Cerimonial dos Bispos.

Ritos Iniciais
Fazer o sinal da Cruz com água benta (sinal do Batismo), se houver, ao entrar na igreja.
Fazer genuflexão em direção ao sacrário contendo o Santíssimo Sacramento e ao altar do sacrifício antes de se dirigir ao banco. (Se não houver sacrário no presbitério ou ele não for visível, inclinar-se profundamente ao altar, a partir da cintura, antes de se dirigir ao banco.)
Chegando ao banco, ajoelhar-se para oração privada antes de a Missa começar.
Ficar de pé para a procissão de entrada.
Inclinar-se quando o crucifixo, sinal visível do sacrifício de Cristo, passar por você na procissão. (Havendo um bispo, inclinar-se quando ele passar, reconhecendo-o assim como pastor do rebanho e representante da autoridade da Igreja e de Cristo.)
Permanecer de pé para os ritos iniciais. Fazer o sinal da Cruz junto com o sacerdote no começo da Missa.
Bater no peito ao “mea culpa” (“por minha culpa, minha tão grande culpa”) no Confiteor.
Fazer inclinação de cabeça e o sinal da Cruz quando o sacerdote disser “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós…”
Fazer inclinação de cabeça ao dizer o “Senhor, tende piedade de nós” no Kyrie.
Se houver o Rito da Aspersão (Asperges), fazer o sinal da Cruz quando o padre aspergir água em sua direção.
Durante a Missa, fazer inclinação de cabeça a cada menção do nome de Jesus e a cada vez que a Doxologia [“Glória ao Pai…”] for rezada ou cantada. Também quando pedir que o Senhor receba a nossa oração. (“Senhor, escutai a nossa prece” etc., e ao fim das orações presidenciais: “Por Cristo nosso Senhor” etc.)
Glória: fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus. (“Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito…”, “Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo…”)
Liturgia da Palavra
Sentar-se para as leituras da Sagrada Escritura.
Ficar de pé para o Evangelho ao verso do Alleluia.
Quando o ministro anunciar o Evangelho, traçar o sinal da Cruz com o polegar na cabeça, nos lábios e no peito. Esse gesto é uma forma de oração para pedir a presença da Palavra de Deus na mente, nos lábios e no coração.
Sentar-se para a homilia.
Credo: De pé; fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus; na maioria dos Domingos inclinar-se durante o Incarnatus (“e se encarnou pelo Espírito Santo… e se fez homem”); nas solenidades do Natal e da Anunciação todos se ajoelham a essas palavras.
Fazer o sinal da Cruz na conclusão do Credo, às palavras: “e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.”
Liturgia Eucarística
A Consagração, ápice da Santa Missa
Sentar-se durante o ofertório.
Ficar de pé quando o sacerdote disser “Orai, irmãos e irmãs…” e permanecer de pé para responder “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício…”
Se for usado incenso, o povo levanta-se e faz inclinação de cabeça ao turiferário quando ele fizer o mesmo, tanto antes como depois da incensação do povo.
Permanecer de pé até o final do Sanctus (“Santo, Santo, Santo…”) e manter-se de joelhos durante toda a Oração Eucarística.
No momento da Consagração de cada espécie, inclinar a cabeça e pronunciar silenciosamente “Meu Senhor e meu Deus”, reconhecendo a presença de Cristo no altar. Estas são as palavras de São Tomé ao reconhecer verdadeiramente a Cristo quando este lhe apareceu no Cenáculo (cf. Jo 20, 28). Jesus disse: “Acreditaste porque me viste. Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20, 29).
Ficar de pé ao convite do sacerdote para a Oração do Senhor.
Com reverência, unir as mãos e inclinar a cabeça durante a Oração do Senhor.
Manter-se de pé para o sinal da paz, após o convite. (O sinal da paz pode ser um aperto de mãos ou uma inclinação de cabeça à pessoa mais próxima, acompanhada das palavras “A paz esteja contigo”.)
Na recitação (ou canto) do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”), bater no peito às palavras “Tende piedade de nós”.
Ajoelhar-se ao fim do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”).
Fazer inclinação de cabeça e bater no peito ao dizer: “Domine, non sum dignus…”  (“Senhor, não sou digno…”).
Recepção da Comunhão
Deixar o banco (sem genuflexão) e caminhar com reverência até o altar, com as mãos unidas em oração.
Fazer um gesto de reverência ao se aproximar do ministro em procissão para receber a Comunhão. Se ela for recebida de joelhos, não se faz nenhum gesto adicional antes de recebê-la.
Pode-se receber a Hóstia tanto na língua como na mão.
Para o primeiro caso, abrir a boca e estender a língua, de modo que o ministro possa depositar a Hóstia de forma apropriada. Para o outro caso, posicionar uma mão sobre a outra (a esquerda sobre a direita, em forma de cruz), de palmas abertas, para receber a Hóstia. Com a mão de baixo (ou seja, a direita), tomar a Hóstia e com reverência depositá-la na sua boca. (Ver as diretrizes da Santa Sé de 1985).
Se estiver carregando uma criança no colo, é muito mais apropriado receber a Comunhão na língua.
Ao comungar também do Cálice, fazer o mesmo gesto de reverência ao se aproximar do ministro.
Fazer o sinal da Cruz após ter recebido a Comunhão.
Ajoelhar-se em oração ao retornar para o banco depois da Comunhão, até o sacerdote se sentar, ou até que ele diga “Oremos”.
Ritos Finais
Ficar de pé para os ritos finais.
Fazer o sinal da Cruz durante a bênção final, quando o sacerdote invocar a Trindade.
Permanecer de pé até que todos os ministros tenham saído em procissão. (Se houver procissão recessional, fazer inclinação ao crucifixo quando ele passar.)
Se houver um hino durante o recessional, permanecer de pé até o final da execução. Se não houver hino, permanecer de pé até que todos os ministros tenham se retirado da parte principal da igreja.
Depois da conclusão da Missa, pode-se ajoelhar para uma oração privada de ação de graças.
Fazer uma genuflexão ao Santíssimo Sacramento e ao Altar do Sacrifício ao sair do banco e deixar a (parte principal da) igreja em silêncio.
Fazer o sinal da Cruz com água benta ao sair da igreja, como recordação batismal de anunciar o Evangelho de Cristo a toda criatura.

Encerramento da festa de Santo Antonio no Góis.









segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Encontro com Jovens, no Sítio Góis.











Reflexão para o XXIII Domingo do Tempo Comum- Marcos 7,31-37 (Ano B)



No vigésimo terceiro domingo do tempo comum, a liturgia oferece Marcos 7,31-37 para o Evangelho, texto que contém o relato da cura de um surdo-mudo por Jesus, em terras pagãs. Esse episódio é exclusivo do Evangelho segundo Marcos, e possui grande significado para a sua teologia, o que se evidencia pela riqueza de pormenores que traz, desde a dimensão espacial até a forma como se dá a relação de Jesus com o personagem por ele curado. O episódio do evangelho de hoje é, portanto, paradigmático. Nele, Jesus revela o máximo da sua pedagogia do cuidado e da atenção.

Tendo decretado a inutilidade e o fim das leis de pureza alimentar, como refletimos no domingo passado (cf. Mc 7), Jesus praticamente aboliu, pelo menos para os seus seguidores, qualquer obstáculo que impedisse a relação com os povos pagãos. Ora, como nada do que é externo pode tornar a pessoa humana impura, mas somente o que é gerado no coração, não pode mais haver impedimento para o contato físico e a convivência fraterna com as pessoas de outras etnias e religiões diferentes. Por isso, Jesus fez, logo em seguida, uma pequena campanha missionária em terras pagãs, cumprindo, também ali, sinais semelhantes aos já cumpridos na Galileia, com duas curas exemplares: a expulsão de um demônio da filha de uma mulher pagã, a siro-fenícia (cf. 7,24-30) – episódio saltado pela liturgia – e a cura de um surdo-mudo, episódio do evangelho de hoje: 7,31-37.

Os relatos de milagres de Jesus relacionados com os olhos, os ouvidos e a língua têm um significado simbólico muito relevante, sobretudo no Evangelho segundo Marcos. Mais que uma demonstração de poderes sobrenaturais de Jesus, é uma oportunidade para o evangelista chamar a atenção da comunidade cristã a respeito das suas necessidades concretas, com as deficiências que a impedem de um seguimento mais perseverante e fiel. É também uma forma de reforçar, entre os membros da comunidade, a responsabilidade na luta pela superação de todas as barreiras que impedem as pessoas de viver com a justa e necessária dignidade, bem como um convite à inclusão, tolerância e respeito às diferenças individuais e culturais.

A grande densidade simbólica do episódio narrado no evangelho de hoje já se evidencia no primeiro versículo, com a descrição de uma dimensão espacial completamente improvável: “Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole” (v. 31). A forma como o versículo está estruturado no texto litúrgico não denuncia a incoerência do percurso, mas em uma tradução melhor isso se torna muito evidente. Porém, como sabemos, os evangelhos não são livros de crônicas, mas de teologia. O importante nessa descrição é a passagem de Jesus por regiões pagãs, abrindo o horizonte da comunidade para essa necessidade. Tanto Tiro, quanto Sidônia e as dez cidades da Decápole eram terras pagãs. Com isso, o evangelista diz que, ao contrário da lei, o evangelho não é destinado apenas a Israel, mas ao mundo inteiro. Nenhuma barreira cultural ou religiosa pode impedir a difusão do evangelho, a boa notícia que, de fato, comunica vida.

Após os indicativos espaciais, o evangelista apresenta o personagem com quem Jesus irá interagir: um homem surdo, que falava com dificuldade. Além de mostrar a necessidade de inclusão das pessoas portadoras dessas necessidades, o evangelista quer descrever a situação da comunidade: fechada para ouvir a boa nova, essa se torna também incapaz de anunciar, ou seja, de falar do amor e da justiça propostos por Jesus. Essa precisa ser ajudada, como foi o personagem do evangelho: “Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão” (v. 32). O gesto de alguém ter levado o homem até Jesus revela a necessidade da comunidade para a experiência da fé. É importante que quem já conhece o evangelho facilite para que outras pessoas também possam conhece-lo, não obstante as dificuldades e barreiras. A surdez era sinônimo de maldição, conforme a mentalidade judaica, pois impedia a pessoa de ouvir a proclamação e a explicação da torá; ora, sem as normas da torá, o ser humano estava perdido, sem rumo, impedido de caminhar retamente. Ao colocar Jesus em contato com um homem surdo e que fala com dificuldade, o primeiro ensinamento transmitido pelo evangelista é a acolhida e a inclusão.

A acolhida de Jesus ao homem deficiente que lhe portaram, revela a grandeza da sua pedagogia: ele olha para cada um em particular, e age de acordo com as reais necessidades. A imagem da multidão no evangelho, tem um papel ambíguo e, na maioria das vezes, negativo; representa a indecisão, a falta de compromisso, a superficialidade e a indiferença ao evangelho. Por isso, um passo importante para a conversão é afastar-se da multidão, como mostra o evangelista: “Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele” (v. 33). Esse afastar-se não significa puritanismo nem exclusão, mas a profundidade da relação estabelecida por Jesus: o seu contato é pessoal, ele olha e toca em cada um e cada uma, olha nos olhos, interage, cria relação. Afastar-se da multidão é, também, o primeiro passo para se tornar discípulo e discípula.

Os gestos descritos pelo evangelista são muito significativos: toca nos ouvidos e cospe com a saliva. Esses gestos significam o cuidado ímpar que Jesus dispensa a cada necessitado. Ao tocar, ele deixa sua marca no outro, transmite a sua essência. Tocando nos ouvidos, ele doou o dom da escuta ao Evangelho. As palavras comprometedoras do Evangelho não conseguem ressoar em quaisquer ouvidos; antes de tudo, é um dom, como ele estava concedendo aquele homem. Do dom da escuta, nasce o do anúncio; é esse o sentido do tocar na língua com a saliva. Para a mentalidade semita, a saliva continha o espírito da pessoa; por isso, o evangelista quer afirmar que Jesus transmitiu seu espírito vivificador àquele homem, tornando-o apto também para o anúncio.

A sequência do episódio mostra, ainda mais, a sua importância; o evangelista diz que, Jesus “olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” (v. 34). Ora, o detalhe de Jesus olhar para o céu é raro ao longo dos evangelhos. Ele não faz isso em qualquer situação. Esse gesto significa a oração e a comunhão com Deus, o Pai. É o reconhecimento dos limites das forças humanas e a confiança no divino, o que revela ainda mais a importância desse sinal. O imperativo “abri-te” (em aramaico: efatá) é uma ordem dada não apenas aos órgãos deficientes (ouvidos e língua), mas a toda a pessoa. O verbo grego usado pelo evangelista (διανοιγω – dianóigo) significa abrir completamente, escancarar, como deve ser o ser humano diante do Evangelho, para que esse possa ser elemento transformador.

À ordem de Jesus, segundo o texto, “imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade” (v. 35). Isso revela a mudança radical que a palavra de Jesus é capaz de provocar no ser humano. O evangelista insiste, com isso, na urgência com que a comunidade cristã deve estar atenta ao Evangelho. É preciso ter ouvidos abertos e atentos para ouvir, e a língua livre para anunciar. Sendo aquele homem um pagão, o evangelista quer dizer que o anúncio do Evangelho não é privilégio de um povo, como era a lei, mas um dom ofertado a todas as nações. Os critérios de etnia, religião e cultura não tem valor algum diante da palavra de Jesus. O que importa é ter coração disponível para o amor.
Como é praxe em Marcos, mais uma vez “Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam” (v. 36). Embora nunca fosse atendido, Jesus costumava pedir segredo quando cumpria um gesto prodigioso. Ele temia que sua fama de messias se espalhasse com distorções, embora nesse episódio essa ordem não tenha muito sentido, pois a fama de messias se espalhava entre os judeus e, nesse caso, ele se encontrava em território pagão. A ênfase aqui é dada na difusão da sua atividade também em terras pagãs, ou seja, fora de Israel.

A conclusão é muito significativa, pois associa a obra de Jesus à criação:“Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar” (v. 37). Ora, fazer bem todas as coisas é a característica do Deus Criador que, ao final de cada obra criada, contemplava que aquilo era muito bom (cf. Gn 1). Fazer bem as coisas é, portanto, agir como Deus. Fazer os surdos ouvir e os mudos falar é a realização das expectativas messiânicas anunciadas pelo profeta Isaías (cf. Is 35,5), o que significa uma nova criação. Assim, Jesus, restituindo a vida e a dignidade àquele homem, re-cria à imagem do Pai, fazendo bem, e elevando a criação ao sua máxima realização.

Como destinatários do evangelho, hoje, somos chamados, antes de tudo, a permitir que sejam escancarados nossos ouvidos a tudo o que Jesus ensinou, para que, vivendo tudo isso, seja autêntico o nosso anúncio. Como comunidade de fé, devemos promover a libertação em todas as instâncias, sobretudo, identificando na multidão, quem necessita de cuidado e atenção especiais, como fez Jesus com o homem surdo que falava com dificuldade. Que a ordem “abri-te” continue ecoando, para tornar nossas comunidades mais acolhedoras, compreensivas, inclusivas e abertas.

Pe. Francisco Cornelio Freire Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN