quinta-feira, 19 de abril de 2018

Para conhecer a Doutrina Social da Igreja


Doutrina Social da Igreja (DSI) é um conjunto de princípios norteadores da relação entre a Igreja (um povo – laos, em grego –, com finalidades espirituais) e a Sociedade Civil (um povo – demos, em grego –, com finalidades temporais).
Esses princípios não visam organizar um sistema sócio-político especial, mas querem, sim, oferecer grandes pontos aptos a ajudar as pessoas a viverem de um modo mais humano e fraterno à luz do Evangelho de Cristo.
Não compete, portanto, à Igreja dar normas sobre um tema meramente humano ou temporal como o construir, ou não, uma ponte em determinado bairro; no entanto, cabe a ela – sempre e em todo lugar – orientar seus fiéis e demais pessoas de bom-senso sobre temas que dizem respeito à sociedade civil, mas também se referem à ética como, por exemplo, o aborto, a eutanásia, a ideologia de gênero, a família, certos sistema de ideias políticas radicalmente anticristãs etc. Isso todo fiel católico deveria (e precisaria) saber. Liberdade civil não se confunde com “fazer o que bem entender” no plano ético. A verdade da Lei natural e da Revelação não podem ser menosprezadas.
As fontes nas quais a Igreja se fundamenta para alicerçar a DSI são duas: a Lei natural moral e a Revelação divina contida na Palavra de Deus. 1) a Lei natural moral é a marca do Criador impressa na criatura. Ela é algo de muito lógico. Assim, como no plano físico não se pode tomar veneno, em vez de café da manhã, comer pedras, em vez de comida saudável, respirar gás carbônico, em vez de ar puro, também não se pode – sem graves consequências – no plano moral, deixar de lado a religião, nem roubar, matar, não viver a castidade etc. e 2) a Palavra de Deus: é uma só, mas vem a nós por dois canais, a Bíblia e a Tradição Divino-apostólica, autenticamente interpretados pelo Magistério da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 74-100).
Os maiores documentos sociais da Igreja até hoje são: Rerum novarum(“Das coisas novas”), do Papa Leão XIII, em 1891, trata da situação dos trabalhadores, mas traz também uma crítica aos materialismos comunista e capitalista; Quadragesimo Anno (“No quadragésimo ano”), do Papa Pio XI, em 1931, comemora os quarenta anos da Rerum novarum e fala da reconstrução da Ordem Social abalada por ideologias que iam embrutecendo o ser humano; Mater et Magistra (“Mãe e Mestra”), do Papa São João XXIII, em 1961, a falar da relação entre o Cristianismo e o progresso social, Pacem in Terris (“Paz na Terra”), do mesmo Papa, em 1963, sobre os perigos da guerra nuclear entre as duas grandes potências de então: Estados Unidos e Rússia (chamada de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas); a Constituição Gaudium et Spes (“Alegria e Esperança”, do Concílio Ecumênico (mundial) Vaticano II, em 1965, tratando da Igreja em relação ao mundo atual; Populorum Progressio (“O progresso dos povos”), do Papa Beato Paulo VI, em 1967, sobre o desenvolvimento dos povos; Octogesima Adveniens (“Chegando aos oitenta anos” [da Rerum Novarum]), também de Paulo VI, em 1971, é uma convocação à ação da Igreja no campo social; Laborem Exercens(“Exercendo o trabalho” ou “Trabalhando”), de São João Paulo II, em 1981, expondo a doutrina católica ante o trabalho do ser humano; Sollicitudo Rei Socialis (“A Solicitude Social da Igreja”), também de São João Paulo II, em 1987, apresenta o cuidado da Igreja para com os temas sociais; Centesimus Annus (“Cem anos” [da Rerum novarum]), ainda do mesmo Papa, em 1991, faz a retrospectiva desde a Rerum novarum até 1989 (ano da queda do Muro de Berlim, o “Muro da vergonha”, a dividir a Rússia comunista e o Ocidente capitalista) e prepara o novo milênio; Caritas in Veritate (“A caridade na verdade”), do Papa Bento XVI, em 2009, aborda, de modo preciso, o desenvolvimento integral (corpo e alma) do ser humano e, por fim, a Laudato Si (“Louvado Sejas”), do Papa Francisco, em 2015, sobre uma ecologia integral – o ser humano inserido em toda obra criada. É muito útil, ainda, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja publicado, em 2004, pelo Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, da Santa Sé.
Eis o que poderia, em poucas palavras, expor sobre a Doutrina Social da Igreja.
Fonte: Aleteia

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