segunda-feira, 2 de abril de 2018
domingo, 1 de abril de 2018
Via Sacra.
A Via-Sacra este ano foi realizada, na Sexta-Feira da Paixão às 19h, tendo início no Hospital Regional Hélio Morais Marinho até a Praça da Bíblia, de lá a penúltima estação, onde Jesus é sepultado, foi realizado o cortejo com a Imagem do Nosso Senhor conduzido até a paróquia Igreja Matriz.
Semana Santa!
Sexta-Feira da Paixão!
ECC
Vida de Jesus: você sabe quais idiomas Ele falava?
Ao falar com os discípulos e com as pessoas comuns, Jesus recorria
frequentemente a um dialeto
Jesus provavelmente foi um judeu bilíngue: falava normalmente às
pessoas em um aramaico típico da região da Galileia e utilizava o hebraico nas
leituras e discussões bíblicas e teológicas da sinagoga. Mas conhecia algo do
grego e é improvável que arranhasse o latim.
Ao falar com os discípulos e com as pessoas comuns, Jesus recorria
frequentemente a um dialeto galileu-aramaico, sua língua materna.
Educado na fé judaica e tendo crescido em uma família judaica da
Galileia, Jesus falava habitualmente em aramaico, a língua semítica usada pelos
judeus após o exílio babilônico (586-538 a.C.). Nesse período, o aramaico era
uma língua internacional, comum entre os diversos povos do Oriente Médio. Culta
e popular ao mesmo tempo, usada nos diferentes países submetidos ao domínio
babilônico, foi imposta, portanto, entre as populações do Oriente Próximo:
Síria, Israel, Samaria, Judeia. Muito provavelmente, a sua era uma versão do
aramaico ocidental, típica da Galileia, e diferente, por exemplo, do aramaico
que se falava em Jerusalém.
Assim, no relato da negação de Jesus por parte de Pedro, será
precisamente esta a razão que desmascarará o apóstolo: “É claro que tu também
és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia” (Mt 26,73).
Muitas vezes, os escritores sagrados, na tentativa de mostrar a
fascinação, a força, a impressão provocada pelas palavras que saíam dos lábios
de Jesus, ainda redigindo o Novo Testamento em grego, deixaram algumas
expressões suas em seus idioma original, assim como haviam sido transmitidas
pela primeira comunidade cristã.
Um especialista, Joachim Jeremias, excluindo os nomes próprios e os
adjetivos, conta 26 palavras aramaicas atribuídas a Jesus pelos Evangelhos ou
por fontes rabínicas, como, por exemplo, abba’, “papaizinho, papai”, dirigida
por Jesus a Deus (Mc 14,36); ou, como na frase do Pai Nosso, “perdoai-nos as
nossas dívidas”, que, ainda que se apresente em grego com o termo ofeilémata,
mostra claramente seu correspondente em aramaico, segundo o qual “dívida”
(hoba’) significa também “pecado”; ou a expressão talità kum, “Menina,
levanta-te!”, dirigida à filha morta de Jairo (Mc 5,41), chefe de uma sinagoga;
também o effatà, “Abre-te!”, dirigido a um surdo (Mc 7,34); até a citação do
Salmo 22, no grito lançado por Jesus: Eloì, Eloì, lemà sabactàni, “Meus Deus,
meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34).
No entanto, é difícil reconstruir o aramaico falado por Jesus, que só
hipoteticamente poderia se comparar com o aramaico que se fala hoje em algumas
aldeias da Síria Meridional, nas redondezas de Damasco, particularmente em
Malula.
Jesus pode ter usado o hebraico, em parte, nas discussões teológicas
com os escribas e os fariseus.
Fonte: Aleteia
Vigília Pascal
A Semana Santa é a Semana das semanas! Neste tempo, vivemos a
intensidade do Mistério Pascal, que é constituído pela Paixão, Morte e
Ressurreição de Jesus. É certo que, a cada domingo, dia do Senhor, nós
revivemos e celebramos esse mistério. E, é certo também que, em cada Santa
Missa, celebramos vivamente o Mistério Pascal. Mas, todo o ano decorre desta
Semana Santa. A Vigília Pascal é uma Fonte da graça de Deus. Nesta Semana, o nosso
coração é alimentado pela força do amor do Pai.
O Sábado Santo é precedido pelo Domingo de Ramos, onde acompanhamos
Jesus no Triunfo e na Paixão. Ele é acolhido em Jerusalém como um Rei, com
hinos, ramos nas mãos; por onde Ele ia passando, roupas eram jogadas pelo chão
e havia muita euforia. Na mesma liturgia é narrada a Paixão do Senhor. O
Triunfo e a Paixão de Jesus nos faz pensar nos nossos altos e baixos ao longo
da vida. Em Jesus encontramos sabedoria e discernimento para louvarmos a Deus
nas conquistas e confiarmos n’Ele nas horas amargas.
A Vigília Pascal faz parte do Tríduo Pascal
O Sábado Santo é chamado de Vigília Pascal. Na Igreja e na Liturgia
Católica, antes de todas as grandes solenidades, há uma celebração de véspera
ou vigília. A Vigília Pascal antecede o dia da Páscoa, o Domingo da
Ressurreição de Jesus.
A Vigília Pascal faz parte também do Tríduo Pascal, onde vivemos com
profundidade os passos de Jesus rumo ao Calvário, ao Sepulcro e à Ressurreição.
Este Tríduo começa com a Quinta-feira Santa pela conhecida “Missa do Lava-pés”,
por meio da qual Jesus instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio, com uma
recomendação: “Fazei isso em minha memória” (Lc 22,19). A Eucaristia e o
Sacerdócio nasceram do coração de Jesus, em torno de uma mesa, para que se
fosse cumprida uma promessa do Senhor: “Eis que estarei convosco, todos os
dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Tanto pela Eucaristia, como pelo
Sacerdócio, o Senhor continua no meio de nós!
Na Sexta-feira Santa, até a natureza silencia-se. O Cordeiro é
imolado. Jesus, morre na Cruz, rezando: “Pai, em tuas mãos entrego o meu
espírito” (Lc 23,46)! E aí Jesus entrega toda a Sua história e missão. Jesus
entrega a Igreja e toda a humanidade. Jesus nos entrega ao Pai. Com essa
entrega, Ele coloca em prática o Seu ensinamento: “Ninguém tem maior amor do
que Aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).
Diante da Vigília Pascal, é como se a Igreja e cada fiel estivessem
escalando uma alta montanha. A cada dia mais um passo e mais próximo do ápice!
A cada celebração do Tríduo Pascal, mais perto do cume, do lugar mais alto.
Depois desta caminhada, com o coração aberto e os olhos bem atentos no Senhor,
chegamos à grande noite do Sábado Santo, da Vigília Pascal.
O Sábado Santo é celebrado ao escurecer do dia, à noite. Até as luzes
da Igreja são apagadas. Todo o povo se reúne na escuridão. Esta Liturgia é
muito rica nos sinais, nos gestos e símbolos. É na Vigília Pascal que acontece
a bênção do fogo. O Círio Pascal, uma vela bem grande, é aceso no fogo novo,
trazendo o ano que estamos vivendo e duas letras do alfabeto grego, ou seja, o
Alfa e o Ômega, que representam Jesus, nossa Luz, Princípio e Fim de tudo e de
todos, Senhor do tempo e da história!
Partes fundamentais da Vigília Pascal
A Vigília Pascal tem quatro partes fundamentais: Liturgia da Luz, da
Palavra, do Batismo e da Eucaristia. É comum crianças e adultos serem batizados
nesta celebração, quando todos renovam sua fé e confiança no Deus Altíssimo. A
Palavra de Deus recorda toda caminhada do povo de Israel, aguardando o Messias,
e apresenta Jesus como o verdadeiro Messias, Salvador. O Povo de Deus, pede a
intercessão dos santos para que continuem perseverantes no seguimento de Jesus,
que trouxe ao mundo uma Boa Notícia e alimenta-se da Eucaristia, Remédio Santo,
que cura as enfermidades do corpo e da alma.
A Vigília Pascal é uma celebração solene e com uma catequese muito
profunda. Quando participamos, cheios de atenção e desejo de nos encontrarmos
com o Senhor, ficamos maravilhados com a beleza e o esplendor em torno de
Jesus, nossa Luz. A Vigília Pascal transforma a noite mais clara que o dia, e
nos impulsiona a irmos ao encontro do Senhor Ressuscitado, para vê-Lo e
acreditar na vitória da vida sobre a morte. A Ressurreição de Jesus torna o
Sábado Santo uma Noite de Luz!
Reflexão para o Domingo da Ressurreição- João 20,1-9
O evangelho que a liturgia propõe neste Domingo de Páscoa é João 20,1-9. Ao invés de ser um relato da ressurreição, esse é na verdade um relato do“sepulcro encontrado vazio”, pois a ressurreição é indescritível. Ao contrário da paixão e da morte de Jesus, as quais são descritas minuciosamente pelos evangelhos, nenhuma descrição da ressurreição é feita, o que pode parecer estranho, considerando que é a ressurreição o evento fundante do cristianismo e, por isso, o centro da fé cristã. Foi exatamente em função da ressurreição que os evangelhos foram escritos e, mesmo assim, seus autores não conseguiram descrevê-la.
O texto que a liturgia propõe para hoje, Jo 20,1-9, é apenas a introdução daquilo que o Quarto Evangelho dedica à ressurreição, sem no entanto descrevê-la: a descoberta do sepulcro vazio, o que pode significar muita coisa ou quase nada, a depender de quem faz a constatação. Três personagens entram em cena nesse texto: Maria Madalena, Simão Pedro e o Discípulo amado. O número três já é, por si, um grande e significativo sinal; se trata de um indicativo teológico: significa uma comunidade, a qual encontra-se profundamente abalada, devido ao final trágico de seu líder, mas que vai, aos poucos, sendo recomposta, à medida em que a esperança é recuperada.
O primeiro versículo é bastante significativo, pois apresenta o verdadeiro retrato da comunidade antes de vivenciar a experiência da ressurreição: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo” (v. 1). O “primeiro dia” é o dia seguinte ao sábado, último dia; isso quer dizer que a comunidade ainda estava apegada à lei, cumprindo o repouso sabático. A observância da lei atrasa a experiência da ressurreição que é, na verdade, a nova criação que se instaura, por isso, a ênfase ao primeiro dia. Isso não significa que a ressurreição se deu exatamente no domingo, o primeiro dia da semana, mas foi nesse dia que a comunidade começou a despertar e a fazer a experiência de encontro com o Ressuscitado.
Após cumprir a lei do repouso sabático, em observância à lei, “Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro” (v. 1). Embora o texto de João registre apenas a ida de Maria Madalena ao sepulcro, é mais provável que tenha sido um grupo de mulheres, como consta nos evangelhos sinóticos (cf. Mt 28,1; Mc 16,1; Lc 24,1); João cita somente a Madalena para compor o número três com os dois discípulos (Pedro e o Discípulo Amado), dando uma ênfase teológica maior ao fato. Ir ao túmulo é a atitude de quem acredita que a morte triunfou, pois o túmulo é a morada dos mortos, é um depósito de cadáver. A comunidade vai ao túmulo por reverência a Jesus e para chorar a sua morte, sem nenhuma esperança na ressurreição.
O indicativo temporal “bem de madrugada” e seu complemento enfático“quando ainda estava escuro” significam muito mais que um dado cronológico; é na verdade o indício da mentalidade da comunidade naquelas circunstâncias. A ausência de Jesus e a procura pelo seu corpo na morada dos mortos reflete uma realidade de trevas na comunidade. Essa situação de trevas não se deve à ausência da luz física, mas significa que a vida não está triunfando na comunidade, ou seja, a morte está prevalecendo. Trevas é ausência de vida e de esperança.
Enquanto observa a lei, como o repouso sabático, a comunidade permanece cega e incapaz de perceber os sinais do ressuscitado. A cultura da morte está tão presente na mente dos discípulos que nem mesmo a pedra do túmulo removida é suficiente para animá-la. De fato, a remoção da pedra e a suposta ausência do corpo de Jesus causa, inicialmente, preocupação e espanto, ao invés de alegria e esperança. Por isso, Maria Madalena, certamente preocupada, correu para comunicar a Pedro e ao Discípulo Amado: “Retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram” (v. 2b). Nessa fala da Madalena vem expressa a completa falência da comunidade: sentem a falta de um cadáver; querem saber onde está o corpo morto para reverenciá-lo, provavelmente com os perfumes, e chorar junto dele.
Com o aviso de Maria Madalena, também Pedro e o Discípulo Amado tomam a iniciativa de ir ao túmulo para conferir a veracidade da informação (v. 3), uma vez que a palavra da mulher não era digna de credibilidade naquela sociedade. Afirma o texto que “Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo” (v. 4), o que revela o grau de desânimo de Pedro após ter sido tão incoerente com o Mestre na fase final de sua vida: opôs-se a ele na ceia, no momento do lava-pés (cf. 13,6-8), e o negara durante o processo (cf. 18,15-27). A falta de motivação de Pedro foi, certamente, marcada pelo remorso da negação e outras incoerências, o que será recuperado quando experimentar o Ressuscitado em sua vida.
A pressa do Discípulo Amado revela sua fidelidade, testada e comprovada aos pés da cruz (cf. 19,25-27), característica da pessoa amada; somente quem fez uma autêntica e profunda experiência de amor com o Senhor é capaz de opor-se ao clima de morte reinante na comunidade, por isso, esse discípulo é anônimo; o evangelista não lhe dá um nome, mas apenas um adjetivo: amado. Os personagens anônimos no Evangelho segundo João tem a função de paradigmas para a comunidade e os leitores; assim, todo aquele que ler esse evangelho deve tornar-se um “discípulo amado” também. Ele, o Discípulo Amado chegou primeiro e comprovou que a informação da Madalena era verídica: “viu as faixas de linho no chão, mas não entrou” (v. 5).
O Discípulo Amado, embora tenha chegado primeiro, espera que Pedro também chegue e faça ele mesmo a sua experiência: “Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho no chão” (v. 6). Tendo entrado no túmulo, Pedro comprova a ausência do corpo de Jesus e, certamente, faz uma longa reflexão a respeito de tudo o que tinha acontecido nos últimos dias. Embora a tradução litúrgica diga que ele “viu” as faixas de linho, o evangelista emprega um verbo de significado muito mais profundo: “contemplar” (em grego: qewrew – teorêo), o que significa mais que simplesmente ver; desse verbo grego deriva a palavra teoria, como consequência de uma observação profunda: um olhar contemplativo, processado na mente e no coração.
Depois de Pedro, entra também o Discípulo Amado no túmulo. Tendo chegado primeiro, poderia ter entrado logo, mas preferiu esperar que Pedro chegasse e entrasse logo. Não se trata de preeminência, uma vez que na comunidade joanina não havia espaço para hierarquia, o que Jesus deixou claro no lava-pés; era na verdade uma questão de necessidade: quem, de fato, necessitava de uma experiência mais forte era Pedro, pois, depois de Judas, foi aquele que mais fracassou. Já o Discípulo Amado tinha feito uma experiência autêntica com o Senhor durante toda a sua vida, por isso, “viu e acreditou” (v. 8); não se deixou vencer pelos sinais de morte vistos dentro do túmulo, mas reforçou ali a sua fé.
Para Pedro, foi necessário um pouco mais de tempo, pelo menos algumas horas, para convencer-se de que o Senhor ressuscitou e vive. Mas, os sinais estão apontando para isso: interiormente, ele já estava “teorizando” sua fé, reconstruindo-a lentamente, uma vez que os acontecimentos do lava-pés ao julgamento de Jesus foram muito fortes e deixaram suas expectativas bastante comprometidas.
É o conhecimento da Escritura que, gradativamente, vai habilitando a comunidade a crer na ressurreição (v. 9). A fé de Pedro, de Maria Madalena e dos demais será reformulada aos poucos, a cada “primeiro dia” quando reunirem-se para a comunhão fraterna. Só crê num primeiro momento quem ama e sente-se amado, como aquele Discípulo sem nome, ao qual o evangelista quer que todos os seus leitores se assemelhem! Assim, concluímos voltando para o nosso início: a ressurreição não pode ser descrita, pode apenas ser experimentada. Para isso, é necessário fazer a experiência do amor profundo!
Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró
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