quinta-feira, 5 de abril de 2018

Por que precisamos da religião em um mundo globalizado?


Quem responde é um pesquisador da Universidade de Yale

Yale é uma universidade encantadora! Neste prestigioso centro universitário dos Estados Unidos não se estudam somente carreiras tradicionais, como Direito, por exemplo. Mas também há cursos de Teologia e são investidos dólares e mais dólares em pesquisas que têm a missão de investigar o papel da religião no mundo globalizado.
Miroslav Volf, ganhador do Prêmio de Religião Louisville Grawemeyer e diretor-fundador do Yale Center for Faith and Culture nos recebe em seu escritório para falar do papel da fé na vida pública. Volf, que é de origem croata, está convencido de que a globalização é uma enorme oportunidade para as religiões e, em especial, para a visão cristã da vida.
Em seu livro “Flourishing. Why we need religion in a Globalized World” (“Florescendo. Por que precisamos da religião em um mundo globalizado”), editado pela Yale University Press, o professor e teólogo explica que as religiões desempenham um papel determinante na vida.
Para ele, longe de ser uma “praga para a humanidade”, a religião é portadora de visões de florescimento. Volf diz que as religiões não estão separadas do processo de globalização. Embora para muita gente a religião pareça algo fora do mundo, ele argumenta que as religiões são parte da dinâmica da globalização e a globalização é parte das dinâmicas das religiões, de sua articulação moral e doutrinária, de sua formação política e cultural e de sua disseminação missionária e entre gerações.
“A globalização passa através das religiões e as religiões estão dentro da globalização”, defende.

As religiões não são um problema

Miroslav Volf é professor de Religião e Globalização e, frequentemente, se encontra com estudantes, que lhe perguntam sobre suas convicções religiosas. Ele se concentra no papel da religião, que define como um problema global que requer atenção, mas não somente como um problema. As religiões são parte “indispensável” da solução, argumenta ele.

A globalização é boa?

“Como cristão, minha visão da globalização é a seguinte: é boa se ajudar a mim e aos outros a seguirmos o caráter e a missão de Jesus; e é deficiente se não ajudar nisso”.
Volf diz que viver somente para as “realidades mundanas” pode nos levar a “um mundo de competitividade, injustiça social e destruição”. Ele sintetiza seu pensamento em várias teses:
– Se somente de “pão vive o homem”, não existem valores transcendentais e a globalização, seja na forma descartada comunista ou na forma capitalista atual, se ocupa principalmente do “pão”;
– as religiões do mundo articulam visões que geram uma nova vida (florescimento), e, no centro, está o divino. Mas elas não são meros lubrificantes para as engrenagens da globalização, como muitos acreditam;
– as religiões, por vezes, legitimaram a violência e impediram o progresso da ciência e tecnologia. Mas não são areia nas engrenagens dos processos de globalização, como muita gente teme;
– a globalização poderá contribuir para melhorar o estado do mundo somente se as visões do crescimento humano e visões morais se articularem;
– O homem não vive somente de pão. Embora a globalização viva disso, não se pode subestimar a vida espiritual de milhões de pessoas;
– a globalização pode ajudar as religiões a não se aliarem a algumas particularidades perigosas e pode fazer com que elas descubram sua genuína universalidade.
O professor Volf é o pesquisador principal de um projeto da Yale financiado pela Fundação Templeton que estuda a teologia da alegria e a busca pela boa vida.
Fonte: Aleteia

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Ciência comprova benefícios de rezar o terço… para o corpo

E quem confirma este fato é um médico da Universidade de Helsinki, na Finlândia, um dos países mais desenvolvidos do mundo

Respiração mais equilibrada, diminuição da pressão, menos radicais livres no sangue, músculo cardíaco mais saudável… É um remédio que faz tudo isso? Sim: a oração.
Rezar o rosário, em particular, traz benefícios não apenas para a alma de quem o recita (como se fosse pouco!), mas também para o equilíbrio geral do corpo.
E quem confirma este fato não é o Pe. José da igrejinha do vilarejo nem a dona Ursulina da missa das seis, mas o Dr. Luciano Bernardi, da Universidade de Helsinki, na Finlândia – um dos países mais desenvolvidos do mundo e sempre destacado pela qualidade das suas instituições de ensino.
Ele destaca especialmente que o santo rosário, sobretudo quando recitado em latim (!), promove especiais benefícios ao músculo cardíaco. Ele diz ainda que, para acalmar a respiração e a ansiedade, os efeitos do rosário são melhores que os dos mantras budistas, que costumam virar “moda” com relativa frequência.
Fonte: Aleteia

Qual o significado da Oitava Pascal?


Com a celebração da Ressurreição do Senhor, na Vigília do Sábado Santo, entramos no Tempo Pascal, formado por sete semanas até a Solenidade de Pentecostes. Este tempo é marcado pela alegria da vida nova que recebemos de Cristo. É o tempo litúrgico mais forte do ano, pois é a passagem da morte para a Vida.
Durante o Tempo Pascal, em todas as celebrações litúrgicas, o Círio Pascal permanece aceso, pois ele representa o Cristo Ressuscitado que ilumina nossa vida, que dissipa as trevas da morte e faz resplandecer em todos nós a luz de Deus. O Círio é como essa grande coluna luminosa que nos guia para a libertação plena da vida.
Dentro do Tempo Pascal temos a Oitava de Páscoa. Como a Festa da Páscoa é o coração da nossa fé, reservam-se oito dias para celebrar solenemente a Ressurreição de Cristo. A Oitava Pascal é, portanto, os primeiros oito dias do Tempo Pascal, iniciados no domingo após a Vigília da Ressurreição. No Tempo Pascal os Domingos tem uma mesma unidade solene, não se diz 2º Domingo depois da Páscoa, mas se diz: Segundo Domingo da Páscoa. Por isso, na Oitava Pascal, a Igreja, comunidade do Ressuscitado, proclama solenemente: “este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 118, 24). O dia que o Senhor fez para nós é o dia que a vida venceu. “Na verdade Ele não poderia estar no sepulcro, pois não pode mais haver morte onde o viver se tornou missão”.
A Oitava Pascal traz para o centro da celebração litúrgica da Igreja o mistério da Ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa de Jesus continua na ação da Igreja, por isso na Oitava Pascal celebramos que todo dia se tornou Domingo. Razão pela qual na Oitava Pascal se entoa o Hino de Louvor nas missas, que geralmente é cantado apenas na missa dominical, com exceção do tempo da quaresma e advento. Por isso, durante oito dias celebramos a Solenidade da Ressurreição de Jesus como se fosse um único dia – “o dia que o Senhor fez para nós!”
No passado, a Oitava Pascal era um tempo especial de contato com a fé para os que tinham sido batizados na Vigília Pascal. No batismo eles recebiam a veste branca, e essa veste era tirada no final da Oitava Pascal. Era momento para aqueles que renasceram pelo batismo poder experimentar a vida nova em Cristo.
Por isso, a Oitava Pascal convida-nos a fazer da nossa vida uma contínua Páscoa, um tempo de renovar a confiança no Senhor, colocando em suas mãos a nossa vida e o nosso destino. É um tempo para que, Ressuscitados com Cristo, aprendamos a buscar as coisas que são do alto – (Col 3,1).
Pe. Luiz Camilo Junior, C.SS.R/A12

Onde estava Jesus entre sua morte e ressurreição?

O que significa a expressão "desceu à mansão dos mortos", que rezamos no Credo?

O nosso Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14).
São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). O profeta Isaias já tinha anunciado que: “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8), mas o salmista disse que “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (Sl 15, 8-11; At 2,26-27).
Jesus morreu, mas Sua alma, embora separada de Seu corpo, ficou unida à Sua Pessoa Divina, o Verbo, e desceu à morada dos mortos para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido (cf. Cat. §637). Para lá foi como Salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam aprisionados.
Os Santos Padres da Igreja, dos primeiros séculos, explicaram bem isso. São Gregório de Nissa (†340) disse: “Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo, em Sua pessoa, o ponto de encontro da morte e da vida, e tornando-se, Ele mesmo, princípio de reunião para as partes separadas” (Or. Catech., 16: PG: 45,52B).
São João Damasceno (†407), doutor da Igreja e patriarca de Constantinopla ensinou que: “Pelo fato de que, na morte de Cristo, a Sua alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e alma de Jesus existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo” (De fide orthodoxa, 3, 37: PG 94, 109 BA).
A Escritura chama de ‘Morada dos Mortos’, Inferno, Sheol ou Hades, o estado das almas privadas da visão de Deus; são todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor. Mas o destino deles não é o mesmo como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. Jesus não desceu aos infernos (= interior) para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos, diz o Catecismo (§ 633).
Assim, a Boa Nova foi anunciada também aos mortos, como fala São Pedro (1Pd 4,6). Esta descida de Jesus ao Hades é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio do Evangelho da salvação, e é a última fase da missão de Cristo, é a extensão da redenção a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares.
São João disse que Cristo desceu ao seio da terra [um modo de falar], a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Assim, Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5).
A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10). Uma antiga homilia, de um autor grego desconhecido, e que a Igreja colocou na segunda leitura da Liturgia das Horas, no dia de Sábado Santo, diz:
“Um grande silêncio reina, hoje, na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se, porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos. Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão, acorrentado, e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”
O Papa beato João Paulo II, falando sobre este mistério, disse: “Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição. A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor. Na obscuridade que envolve o universo, Ela se entrega plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas” (L’Osservatore Romano, ed. port. n.21, 24/05/1997, pág. 12 (240).

terça-feira, 3 de abril de 2018

Oração a Jesus ressuscitado

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Aproveite o tempo pascal para receber graças especiais!

Jesus ressuscitado,
que destes a paz aos apóstolos,
reunidos em oração, dizendo-lhes:
“A paz esteja convosco”,
concedei-nos o dom da paz.
Defendei-nos do mal
e de todas as formas de violência
que agitam a nossa sociedade,
para que tenhamos uma vida digna,
humana e fraterna.
Ó Jesus,
que morrestes e ressuscitastes por amor,
afastai de nossas famílias e da sociedade
todas as formas de desesperança e desânimo,
para que vivamos como pessoas ressuscitadas
e sejamos portadores de vossa paz.
Amém!

Será que Jesus visitou a Virgem Maria depois de ressuscitar? João Paulo II responde


Relembre esta catequese preciosíssima que o papa polonês fez há 21 anos

A comunidade filipina tem uma celebração vinculada à crença tradicional de que Jesus Ressuscitado escolheu visitar sua Mãe primeiro, até mesmo antes que Madalena o visse fora da tumba.
Essa crença foi discutida pelo Papa João Paulo II na audiência-geral de 21 de maio de 1997.
Abaixo, apresentamos as preciosas palavras do Papa polonês, para que você também possa refletir. Os grifos são nossos.
“1. Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria «é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando- se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição» (Alocução da Audiência geral, L’Osserv. Rom. ed. port., 6/4/96, pág. 12). A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor: na obscuridade que envolve o universo, Ela entrega-se plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas.
Os Evangelhos narram diversas aparições do Ressuscitado, mas não o encontro de Jesus com a sua Mãe. Este silêncio não deve levar a concluir que, depois da Ressurreição, Cristo não tenha aparecido a Maria; convida-nos, ao contrário, a procurar os motivos dessa escolha por parte dos evangelistas.
Supondo uma «omissão», ela poderia ser atribuída ao facto que tudo o que é necessário para o nosso conhecimento salvífico é confiado à palavra de «testemunhas anteriormente designadas por Deus» (Act. 10, 41), isto é, aos Apóstolos que «com grande poder» deram testemunho da ressurreição do Senhor Jesus (cf. Act. 4, 33). Antes que a eles, o Ressuscitado apareceu a algumas mulheres fiéis, por causa da sua função eclesial: «Ide dizer a Meus irmãos que partam para a Galileia, e lá Me verão» (Mt. 28, 10).
Se os autores do Novo Testamento não falam do encontro da Mãe com o Filho ressuscitado, isto talvez seja atribuível ao facto que semelhante testemunho poderia ser considerado, por parte daqueles que negavam a ressurreição do Senhor, muito interessado, e portanto não digno de fé.
2. Os Evangelhos, além disso, referem um pequeno número de aparições de Jesus ressuscitado, e não certamente o relatório completo de quanto aconteceu nos quarenta dias após a Páscoa. São Paulo recorda uma aparição «a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez» (1 Cor. 15, 6). Como justificar que um facto conhecido por muitos não seja referido pelos Evangelistas, apesar do seu carácter excepcional? É sinal evidente de que outras aparições do Ressuscitado, embora estivessem no elenco dos notórios factos ocorridos, não tenham sido mencionadas.
Como poderia a Virgem, presente na primeira comunidade dos discípulos (cf. Act. 1, 14), ter sido excluída do número daqueles que se encontraram com o seu divino Filho, ressuscitado dos mortos?
3. É antes legítimo pensar que, de modo semelhante a Mãe tenha sido a primeira pessoa a quem Jesus ressuscitado apareceu. A ausência de Maria do grupo das mulheres que ao alvorecer se dirige ao sepulcro (cf. Mc. 16, 1; Mt. 28, 1), não poderia talvez constituir um indício do facto de Ela já se ter encontrado com Jesus? Esta dedução encontraria confirmação no dado que as primeiras testemunhas da ressurreição, por vontade de Jesus, foram as mulheres, que tinham permanecido fiéis ao pé da Cruz, e portanto mais firmes na fé.
Com efeito, a uma delas, Maria de Magdala, o Ressuscitado confia a mensagem a ser transmitida aos Apóstolos (cf. Jo. 20, 17-18). Também este elemento consente talvez pensar em Jesus que aparece em primeiro lugar à sua Mãe, Aquela que permaneceu a mais fiel e, na prova, conservou íntegra a fé.
Por fim, o carácter único e especial da presença da Virgem no Calvário e a sua perfeita união com o Filho no sofrimento da Cruz, parecem postular uma sua particularíssima participação no mistério da ressurreição.
Um autor do século quinto, Sedúlio, afirma que Cristo Se mostrou no esplendor da vida ressuscitada, antes de tudo, à própria Mãe. Com efeito, Aquela que na Anunciação tinha sido a via do Seu ingresso no mundo, era chamada a difundir a maravilhosa notícia da ressurreição, para se fazer anunciadora da Sua vinda gloriosa. Inundada assim pela glória do Ressuscitado, Ela antecipa o «resplendor» da Igreja (cf. Sedúlio, Carmen Pascale, 5, 357-364, CSEL 10, 140 s.).
4. Sendo imagem e modelo da Igreja, que espera o Ressuscitado e que no grupo dos discípulos O encontra durante as aparições pascais, parece razoável pensar que Maria tenha tido um contacto pessoal com o Filho ressuscitado, para gozar também ela da plenitude da alegria pascal.
Presente no Calvário durante a Sexta- Feira Santa (cf. Jo. 19, 25) e no Cenáculo, no Pentecostes (cf. Act. 1, 14), a Virgem Santíssima foi provavelmente testemunha privilegiada da ressurreição de Cristo, completando desse modo a sua participação em todos os momentos essenciais do Mistério pascal. Acolhendo Jesus ressuscitado, Maria é além disso sinal e antecipação da humanidade, que espera obter a sua plena realização mediante a ressurreição dentre os mortos. No tempo pascal a comunidade cristã, ao dirigir-se à Mãe do Senhor, convida- a a alegrar-se: «Regina caeli, laetare. Alleluja!», «Rainha do céu, alegra-te. Aleluia!». Recorda assim a alegria de Maria pela ressurreição de Jesus, prolongando no tempo o «alegra-te» que lhe fora dirigido pelo Anjo na anunciação, para que se tornasse «causa de júbilo» para a humanidade inteira.”

Fonte: Aleteia 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Existem provas da existência de Jesus?

Ele não foi nenhum nobre, nem um rei, não realizou nenhuma façanha militar nem nada que deixasse vestígios arqueológicos

Há numerosas provas históricas da existência de Jesus – inclusive mais do que as que demonstram a existência de pessoas como Júlio César.
A certeza histórica da existência de Cristo nunca foi questionada com seriedade em 2 mil anos; pelo contrário, foi demonstrada por fatos e inúmeras fontes antigas, cristãs, judaicas e pagãs.
A vida terrena de Cristo não tinha nada para merecer a atenção de alguns historiadores o início da nossa era. A trajetória de um jovem provinciano que não construiu nada, não escreveu nada e só pregou durante três breves anos na Palestina, antes de morrer em uma cruz romana, não tinha realmente vocação de marcar a história.
A vida de Jesus deveria ter passado totalmente inadvertida do ponto de vista histórico. Ele não foi nenhum nobre, nem um rei, não realizou nenhuma façanha militar nem nada que deixasse vestígios arqueológicos (exceto a Síndone de Turim e algumas relíquias). Com relação ao pequeno número de autores do século I que conhecemos – basicamente romanos e cerca de 20, segundo o historiador inglês E. M. Blaiklock –, eles se interessavam em geral somente pelos grandes acontecimentos políticos. Finalmente, a invasão e destruição de Jerusalém pelos romanos (ano 70) e o fato de que estes, durante 3 séculos, tentassem erradicar todo e qualquer rastro do cristianismo não deixariam a priori muitas possibilidades de que houvesse evidências disponíveis sobre o que ocorreu na Palestina na época de Jesus, e muito menos da vida de Jesus.
“O fato do Filho de Deus ‘Se fazer um de nós’ verificou-se na maior humildade – escreve João Paulo II em sua carta Tertio millenio adveniente, em 1994 –, pelo que não admira que a historiografia profana, absorvida por fatos mais clamorosos e personagens que davam mais nas vistas, lhe tenha dedicado, ao início, somente acenos fugidios, ainda que significativos (n.5).”
Cristo teve, no entanto, muitos discípulos que, depois da sua ressurreição, deram testemunho dele corajosamente, pagando com a sua vida pelo que haviam visto e ouvido. Os 27 livros do Novo Testamento apresentam critérios de fiabilidade histórica: a pessoa pode se sacrificar pelo que acredita ser a Verdade, mas nunca daria a sua vida por algo que sabe que é mentira.
Os 27 livros do Novo Testamento, escritos pelos 4 evangelistas, 5 autores de cartas, testemunhas e contemporâneos, abrangem o período que se estende do nascimento de Cristo ao ministério dos primeiros apóstolos. As cartas de Paulo são datadas entre os anos 48 e 67, o que o situa em uma época na qual os adultos haviam sido contemporâneos de Cristo e podiam, portanto, reagir com relação à veracidade dos seus escritos.
Deixando de lado certas divergências menores que geralmente podemos explicar, encontramos nesses escritos uma abundância de detalhes geográficos e históricos que coincidem perfeitamente, e numerosos critérios fiáveis que mostram que estas testemunhas são pessoas sinceras e bem informadas, que não temem revelar seus próprios equívocos, faltas ou fraquezas, com tal de contar fielmente o que sabiam dos fatos. Por exemplo, não omitem nenhuma das reprovações feitas por Jesus a elas: “Corações sem inteligência, lentos para crer…” (Lc 24, 25).
Parece difícil duvidar da sinceridade destas pessoas que querem até dar a vida para afirmar a veracidade do que dizem. Que interesse teriam em mentir? Para enganar quem e conseguir o quê? Três dos evangelistas e 11 dos 12 apóstolos selaram seu testemunho com o martírio. A pessoa pode se sacrificar pelo que acredita ser a Verdade, mas nunca daria a sua vida por algo que sabe que é mentira.
A prova mais contundente de que Jesus existiu é o fato de que milhares de cristãos do primeiro século, incluindo os 12 apóstolos, efetivamente aceitaram arriscar ou entregar suas vidas como mártires por Cristo Jesus.
A existência de Jesus é demonstrada pelos testemunhos de contemporâneos com grande continuidade, do século I ao II, depois pelos Padres da Igreja e também pelos relatos apócrifos.
Além dos 27 livros do Novo Testamento, que nos proporcionam informações de primeira mão sobre Jesus, sua vida e seus ensinamentos, existem outros muitos escritos não bíblicos que testificam sua historicidade.
Os primeiros testemunhos históricos a levar em consideração são dos padres chamados “apostólicos” – homens ou escritos anônimos do período imediatamente posterior ao dos apóstolos. Encontramos, por exemplo, as cartas de Clemente de Roma (um colaborador próximo de São Paulo), de Inácio de Antioquia (provável discípulo de Pedro e João) e de Policarpo de Esmirna (instruído pelos apóstolos e constituído bispo por eles), que comentam as Escrituras e ilustram as comunidades cristãs sobre os diversos ensinamentos transmitidos por Jesus aos primeiros discípulos.
Para eles – e para toda a geração seguinte (dos séculos II ao VI) –, os autores eclesiásticos, conhecidos sob o nome mais genérico de “Padres da Igreja”, como Eusébio de Cesareia, Irineu de Lyon, Orígenes, Tertuliano, não tiveram dúvida de que Jesus é um personagem histórico. E a sua adesão aos seus ensinamentos é total.
Quanto aos relatos apócrifos, que apresentam aos historiadores tantos problemas de reconstituição devido à frágil fiabilidade das tradições que transmitem, jamais colocam em dúvida a existência de Jesus.
Junto a estas fontes, que oferecem também os primeiros balbucios da Igreja após a morte de Jesus, outros escritos não-cristãos do mundo antigo mencionam a pessoa de Jesus sem jamais questionar a sua existência.
Inclusive os judeus que combateram a Igreja desde o começo nunca questionaram os relatos evangélicos.
O Talmude, que é uma recopilação das tradições orais do judaísmo, redigida no século IV, fala de Jesus em vários lugares, dizendo dele e dos seus discípulos que faziam milagres mediante a magia, mas sem evocar jamais a hipótese de que Cristo nunca tenha existido. O Talmude babilônico confirma a crucifixão de Jesus na vigília da Páscoa.
Jesus também é mencionado pelo historiador judeu convertido em cidadão romano, Flávio Josefo (século I), quem menciona Jesus e seu “irmão” Tiago em suas “Antiguidades Judaicas” (sobre a história do povo judeu). Ele, contemporâneo dos acontecimentos, fala também de um “Jesus hábil em fazer prodígios”, que “foi condenado à cruz”.
É mencionado também pelo filósofo platônico Celso, um judeu romano, autor do “Discurso Verdadeiro”, virulento ataque contra o cristianismo (século II). Nele, escreve: “Vocês consideram como Deus um personagem que acabou uma vida infame mediante uma morte miserável”.
Entre os romanos, podemos indicar três testemunhas que, como os judeus, não são, em absoluto, elogiosos com relação a Jesus, mas têm o mérito de oferecer outras provas da sua existência: Plínio o Jovem, governador romano por volta do ano 122 da nossa era; o historiador Tácito, considerado o mais preciso do mundo antigo, pois fala da morte de Jesus em seus Anais, escritos por volta do ano 115; e Suetônio (+125), que cita os cristãos em “A vida dos 12 Césares”: “Cláudio expulsou os judeus de Roma, que causavam permanentes problemas, devido a um tal Chrestus”, diz em uma delas.
É preciso mencionar igualmente o testemunho de um escritor satírico grego: Luciano de Samósata (125-192), que diz de Cristo que “é honrado na Palestina”, pois “foi crucificado depois de introduzir um novo culto entre os homens”; é “o primeiro legislador” dos cristãos, “o sofista crucificado” cujas leis permanecem (“Morte de Peregrinus”, 11-13).
Cabe lembrar também do pagão Thallus (ou Thale), um historiador/cronista contemporâneo de Cristo, citado pelo escritor Sexto Júlio Africano (em 220), que fala do eclipse ocorrido no momento da crucifixão de Cristo.
Outro testemunho procede de um dos raros documentos históricos do século I que foi encontrado: uma carta conservada no British Museum (manuscrito sírio n. 14658), no qual certo Mara Bar-Serapion, sírio, então preso, dirige-se ao seu filho Serapion, pedindo-lhe que busque os caminhos da sabedoria. Após ter citado os nomes de Sócrates e Pitágoras, cita Cristo (Christus), dizendo dele: “Que vantagem tiveram os judeus, executando o seu rei sábio? Seu reino foi destruído pouco depois”. O sírio confirma indiretamente que Jesus era reconhecido como homem sábio e virtuoso, considerado por muitos como o rei de Israel, que foi executado e que sobreviveu nos ensinamentos dos seus discípulos.
“Estes relatos independentes mostram que, desde os primeiros tempos, nem sequer os adversários do cristianismo duvidaram de que Jesus tenha realmente existido”, conclui hoje a Encyclopediae Britannica, precisando que “foi no final do século XVIII, durante o século XIX e no começo do século XX que a historicidade de Jesus foi questionada pela primeira vez, por motivos insuficientes, por parte de diversos escritores”.
No século XVII, a história se tornou uma verdadeira ciência. Foi nesse momento que nasceram (como em muitos outros temas) as primeiras perguntas sobre a existência de Jesus. Mas foi nos séculos seguintes quando houve verdadeiramente dúvidas e discussões, certos historiadores extremistas começaram a desenvolver teses segundo as quais Jesus teria sido produto de um mito ou de uma mitologia.
Mas as suas teses foram refutadas, uma a uma, pelos historiadores especializados, como o professor de história do cristianismo na Sorbonne, Charles Guignebert, em 1933, quem disse, com relação a elas: “Os esforços, com frequência eruditos e engenhosos dos especialistas em mitologia, não convenceram os sábios independentes e desinteressados, a quem não lhes impediria reconhecer um fato bem estabelecido. Sua adesão teria uma razão de ser. O entusiasmo dos incompetentes não compensa este fracasso”.
Depois dos anos 30, a questão da historicidade de Jesus teve um parênteses e, após esse período, conheceu uma nova tentativa de recuperação nos anos 50, mas foi rapidamente sufocada pelos especialistas em Novo Testamento e em cristianismo antigo, que não aceitaram nenhuma das hipóteses propostas.
Atualmente, 95% dos historiadores acreditam que Jesus existiu. São unânimes: existem mais provas da sua existência que da existência de outros personagens históricos, como Júlio César, por exemplo, nascido 100 anos antes dele.
Fonte: Aleteia